quinta-feira, julho 28, 2016

Entenda o Parkinson, doença que pode causar diversos sintomas além dos conhecidos tremores

Causas do problema ainda não são totalmente conhecidas pela medicina

Por: Eduardo Rosa
24/07/2016 - 06h16min | Atualizada em 24/07/2016 - 06h16min


Norimar foi diagnosticada há 18 anos e preside associação que ajuda pessoas com a doençaFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS
Doença degenerativa que costuma se instalar de forma lenta — sobretudo em idosos —, o Parkinson conta com um leque de sintomas que vai além dos tremores nas mãos.
A enfermidade tem incidência em aproximadamente 3% dos brasileiros com mais de 65 anos e apresenta consequências motoras e não motoras. O primeiro tipo, explica o médico Carlos Rieder, está ligado às áreas cerebrais envolvidas principalmente com a dopamina, neurotransmissor que ajuda na realização de movimentos.
— A diminuição da dopamina leva ao aparecimento dos sintomas. Os clássicos são lentidão dos movimentos, rigidez dos músculos e tremor. Mas as pessoas não vão apresentar, necessariamente, tremor ou rigidez. Boa parte não tem e nunca terá — afirma Rieder, que integra o Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento e é professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O médico detalha que a doença normalmente afeta primeiro um lado do corpo e, depois, passa a ser bilateral. O tremor do Parkinson se difere de outros tipos — o principal deles é o chamado tremor essencial.
— Ao contrário do Parkinson, o tremor essencial tem relação com a história familiar, tende a melhorar com a ingestão de bebida alcoólica, ocorre de maneira quase igual nas duas mãos e se dá quando a pessoa vai fazer alguma ação — compara a neurologista Sheila Trentin, do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS e coordenadora dos ambulatórios de distúrbio do movimento da instituição.
O paciente com Parkinson, salienta Sheila, está propenso a outras complicações, como o distúrbio comportamental do sono REM (em que a pessoa pode gritar e espernear enquanto dorme), insônia, depressão, ansiedade, constipação, além de alterações de olfato e memória.
— A doença se manifesta de maneiras diferentes. Então, é importante a pessoa não se comparar a outras. É como se houvesse vários tipos de Parkinson. Em alguns, por exemplo, o tremor é o principal sintoma, enquanto em outros é a perda de equilíbrio — explica a médica.
Os primeiros sintomas costumam aparecer após os 65 anos. Entretanto, há uma parcela de aproximadamente 10% dos casos diagnosticada antes dos 45 anos. Essas pessoas terão a doença por mais tempo, mas possivelmente com um avanço mais lento.
Causas ainda são desconhecidas
O que faz proteínas anômalas se acumularem no cérebro, dando origem ao Parkinson, ainda não foi esclarecido pela ciência. Sabe-se, no entanto, que apenas uma pequena parcela tem relação com questões genéticas.
— As causas são desconhecidas na maioria dos casos. Podem ser aspectos ambientais, como a exposição a agrotóxicos e metais pesados.
A prevalência da doença vem aumentando com a industrialização, mas o principal fator do crescimento é que as pessoas estão vivendo mais — afirma o neurologista Carlos Rieder.
Como não há cura, trabalha-se o controle dos sintomas: existem medicamentos que repõem a dopamina e amenizam as consequências motoras. Pesquisadores procuram desenvolver drogas que impeçam o acúmulo das proteínas, atingindo a origem da doença.
— O tratamento não é feito exclusivamente com remédios. Uma parte muito importante é a atividade física regular, que melhora o equilíbrio. Outra é a atividade mental, em que o paciente deve se dedicar a aprender coisas novas, já que há o risco um pouco aumentado de alterações de memória — frisa a neurologista Sheila Trentin.
A especialista ainda acrescenta que, no cenário ideal, o tratamento deve ser feito de forma multidisciplinar, com profissionais de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e nutrição, além da medicina:
— Quanto mais multidisciplinar for a equipe, melhor o paciente será tratado.
Atividades em grupo e apoio da família
Dos 68 anos de vida de Norimar Castanheiro, 18 são de convívio com o Parkinson. A investigação sobre a origem das fortes dores que sentia nas costas a levou ao diagnóstico, do qual ela duvidou quando ouviu do médico. Precisou ir a outros quatro profissionais para ser convencida.
— De lá para cá, comecei a ficar travada. Não tremo, mas tudo é mais devagar, sinto a postura entortando. Às vezes, não consigo fazer os movimentos que quero e, ao mesmo tempo, tenho movimentos involuntários — relata.
Norimar viu hábitos simples se tornarem difíceis. Ainda que more sozinha, não se arrisca mais a realizar atividades como caminhar no centro de Porto Alegre desacompanhada. Mesmo para deslocamentos curtos, utiliza a bengala.
— A gente cai muito — justifica.
A melhora da qualidade de vida ela encontrou na Associação Parkinson do Rio Grande do Sul (Apars), entidade da qual é presidente. O grupo se reúne para dividir questões relativas à doença e praticar atividades físicas.
Voluntária da Apars, a psicóloga especialista em neuropsicologia Neusa Chardosim avalia que ações como as desenvolvidas pela associação são importantes para enfrentar o preconceito, já que muitas vezes o paciente é visto como incapaz de fazer atividades corriqueiras.
— O primeiro impacto após a descoberta da doença é o pânico. Depois, vem uma sensação de raiva, de negação. Então, a gente trabalha esse processo do diagnóstico até chegar à fase em que a pessoa começa a aceitar. É um trabalho de formiguinha — conta.
Angela Garcia, também diagnosticada com Parkinson há 18 anos, ressalta que o apoio da família é fundamental.
— Ou a família te apoia, ou te derruba — afirma Angela, que foi presidente da Apars entre 2003 e 2014.

terça-feira, março 29, 2016

o diagnóstico de Parkinson

Descrita em 1817 pelo médico inglês James Parkinson é a segunda doença neurológica mais frequente, ficando atrás apenas da famosa doença de Alzheimer. O neurologista Dr. Leandro Teles da capital paulista conta que o número de acometidos pela doença é crescente com o envelhecimento da população. "Ela pode ocorrer em qualquer idade e ambos os sexos, sendo mais frequentemente diagnosticada entre 50 e 70 anos e com ligerira predileção para o sexo masculino (3 homens para cada 2 mulheres)", diz.

Estima-se ainda que cerca de 10% dos casos ocorram em pessoas abaixo dos 40 anos, desmitificando que é uma doença restrita às pessoas na terceira idade.
"Os sintomas são diversos e cada paciente apresenta uma gama peculiar de alterações com intensidade e progressão variáveis. A doença se comporta normalmente como uma afecção crônica e lentamente progressiva, com dificuldades evoluindo ao longo de anos", fala o neurologista acrescentando que "no começo os sintomas são sutis e o diagnóstico mais difícil (principalmente para o médico não especialista), como o tempo as alterações ficam mais evidentes".
Os sintomas, diagnóstico, causas e tratamento são descritos detalhadamente abaixo pelo neurologista Dr. Leandro.
SINTOMAS
Na doença de Parkinson os sintomas motores são os mais exuberantes, diferente do Alzheimer, onde os sintomas intelectuais são muito mais evidentes (como os esquecimentos, por exemplo). No Parkinson, o paciente apresenta tipicamente uma tríade de alterações motoras:
1- Lentidão: perda de velocidade, parecendo estar um pouco em câmera lenta. Isso fica mais visível quando o paciente faz movimentos alterados, como abrir e fechar as mãos de forma rápida.
2- Rigidez muscular: o membro acometido pode apresentar maior resistência à movimentação passiva, parecer mais duro, mais tenso, isso é melhor visto nas articulações, como punho e cotovelo, ou mesmo na movimentação passiva do pescoço. Essa rigidez pode ser intensificada se o paciente fizer movimentos voluntários com o outro lado do corpo durante a pesquisa da rigidez.
3- Tremor: Apesar do tremor ser o sintoma isolado mais característico, mais conhecido pela população e médicos, ele não é presente em todos os casos. Existem formas aonde o paciente não treme (chamado de Parkinson atremulante, cerca de 15%). O tremor (quando presente) geralmente é de um tipo específico, sendo pior no repouso (melhorando com o movimento). É geralmente lento (cerca de 4 a 7 Hz), mais evidente durante a marcha, ou quando o paciente está mais nervoso ou distraído com outras tarefas. Durante o sono ele desaparece. Muitas vezes, o paciente parece estar contando dinheiro ou enrolando pílulas, dado a característica um pouco rotatória do tremor nas mãos. Outras regiões também podem tremer, como os pés, o queixo e até a cabeça. Agora, existem muitas outras causas de tremor na população, sendo o mais frequente o tremor essencial (uma doença genética, benigna, aonde o tremor é pior na ação e geralmente bilateral).
DIAGNÓSTICO
A doença é diagnosticada pela avaliação clínica, baseado na história clínica e nos sinais encontrados durante o exame neurológico. A doença não aparece em exames de sangue ou de imagem, como tomografia ou ressonância magnética. Os exames geralmente são feitos para afastar outras doenças que podem simular o Parkinson, tais como hidrocefalia, múltiplos AVC´s, sangramentos, etc. Muito importante também afastar o Parkinsonismo induzido por medicamentos, que geralmente é mais simétrico, com mais rigidez e parcialmente reversível com a suspensão do medicamento suspeito. As classes de medicamento que podem gerar parkisonismo são: anti-vertigem, remédios para náuseas e medicamentos para psicose e alucinações.
O diagnóstico infelizmente demora muito na nossa realidade médica atual. Os sintomas iniciais podem ser sutis e o diagnóstico pode ser confundido com problemas ortopédicos, reumatológicos ou até psiquiátricos, principalmente se o tremor não for evidente.
CAUSAS
A causa definitiva é ainda desconhecida. Acredita-se, atualmente, que existam fatores genéticos de predisposição associados a eventos ambientais ainda não completamente conhecidos.
O mecanismo da doença é a disfunção progressiva de algumas áreas cerebrais, principalmente uma região chamada substância negra, que fica em uma região bem profunda do cérebro. Os neurônios dessa região produzem dopamina, um neurotransmissor muito importante para o controle do sistema motor. Na doença, ocorre acúmulo de proteínas anormais levando à morte e disfunção desses neurônios. Durante a evolução da doença, outras áreas também são acometidas, justificando os sintomas não motores.
TRATAMENTO
Não existe cura para a doença. Trata-se de um transtorno crônico e lentamente progressivo. A evolução varia muito de caso a caso, existem alguns que evoluem em poucos anos e outros com evolução em décadas. Existem tratamentos, tanto medicamentosos como não medicamentosos, para conter os sintomas, sendo muito efetivos, principalmente nas fases iniciais da doença
Atualmente, temos diversas opções de medicamentos, que podem ser dados de forma isolada ou em associações. Eles aliviam bastante os sintomas, sem alterar diretamente a evolução (progressão) da doença. A maioria é fornecida gratuitamente pelo SUS. Além de medicamentos para o quadro motor, são por vezes necessários medicamentos para os sintomas associados, tais como distúrbio de sono, depressão, dores, etc.
Como tratamento não medicamentoso podem ser indicados: fisioterapia especializada (neurológica), fonoterapia (casos selecionados), terapia ocupacional e psicólogos, sendo a composição da equipe variável caso a caso.
Recentemente, surgiram alguns procedimentos cirúrgicos que podem ser úteis em casos bem selecionados. Um dos mais importantes consiste em implantar um eletrodo e promover estímulos elétricos em regiões específicas do cérebro para aliviar alguns sintomas motores. Esses procedimentos não garantem a cura e nem a retirada dos medicamentos, mas podem ajudar no controle de algumas manifestações nas fases mais tardias e complicadas da doença.

quarta-feira, abril 01, 2015

Os Cuidados de Enfermagem no Mal de Parkinson

Os Cuidados de Enfermagem no Mal de Parkinson

A Doença de Parkinson é caracterizada pela morte dos neurônios que produzem a dopamina, substância responsável pelo controle da coordenação motora e dos movimentos voluntários no corpo humano.
Mesmo com as inúmeras pesquisas que são feitas em todo o mundo, as causas desta morte ainda são desconhecidas.
Os principais sintomas da doença são tremores involuntários nas mãos, rigidez muscular e lentidão de movimentos. A rigidez muscular afeta o rosto, braços, pernas e até o pescoço.
O rosto fica rígido e parece estar congelado. Vale lembrar que a lentidão de movimentos nem sempre é notada de imediato pelas pessoas.
O parkinsoniano demora mais tempo para realizar tarefas como se banhar, vestir-se, cozinhar ou escrever.
A doença atinge principalmente pessoas com mais de 50 anos, com uma pequena predominância nos homens.
Quando os primeiros sintomas são diagnosticados, já houve um comprometimento de cerca de 50% a 60% dos neurônios dopaminérgicos do cérebro.
Nas fases mais avançadas, a doença de Parkinson pode comprometer a vida do paciente, uma vez que a falta de controle dos movimentos pode resultar em dificuldade na deglutição dos alimentos, além de enfraquecer o organismo e abrir espaço para doenças oportunistas.
O apoio da família é essencial para que o paciente viva melhor com a doença de Parkinson.
Processo de Enfermagem
A enfermagem tem um papel importante no tratamento da doença de Parkinson, devendo esta observar e avaliar como a doença afetou as atividades da vida diária, as capacidades funcionais do paciente e as respostas aos medicamentos.
Os pacientes são observados para o grau de incapacidade e para as alterações funcionais que ocorrem durante o dia, como as respostas ao medicamento.
Quase todo paciente com um distúrbio de movimento apresenta alguma alteração funcional e pode exibir algum tipo de disfunção comportamental.
Durante essa avaliação, a enfermeira observa o paciente quanto à qualidade da fala, perda da expressão facial, déficit de deglutição, tremores, lentidão dos movimentos, fraqueza, postura anterógrada, rigidez, evidência de lentidão mental e confusão.
O profissional de enfermagem deve estar direcionado em promover o bem estar, baseados nas prevenções dos agravos patológicos através de uma relação interpessoal que possa produzir mudanças e crescimento intra-individual para a conquista dos objetivos dos cuidados.
Deve-se ainda orientar aos parkinsonianos que é importante a compreensão de que seu corpo esta limitado para realizar algumas atividades, mas que isso não significa impossibilidade de estabelecer objetivos adequados as suas capacidades.
Diagnóstico de Enfermagem
Os principais diagnósticos de enfermagem do paciente podem incluir os seguintes itens:
  • Mobilidade física comprometida relacionada com rigidez muscular e fraqueza motora
  • Déficits de autocuidado relacionados com o tremor e o distúrbio motor
  • Constipação relacionada com o medicamento e atividade reduzida
  • Nutrição alterada, ingestão menor que as necessidades corporais relacionados com o tremor, lentidão na alimentação, dificuldade na mastigação e deglutição
  • Comunicação verbal prejudicada relacionada com o volume diminuído e lentidão da fala
  • Incapacidade para mover os músculos faciais
  • Enfrentamento ineficaz relacionado com a depressão e disfunção decorrente da progressão da doença
Planejamento e Metas a Serem Cumpridas
As metas para o paciente podem incluir:
  • Melhora da mobilidade funcional
  • Manutenção da independência nas atividades da vida diária
  • Obtenção da eliminação intestinal adequada
  • Obtenção e manutenção do estado nutricional aceitável
  • Obtenção da comunicação efetiva e desenvolvimento de mecanismo de enfrentamento positivo
Prescrição de Enfermagem
Melhorando a Mobilidade
Um programa de exercícios diários aumentará a força muscular, melhorando a coordenação e a destreza, reduzirá a rigidez muscular e evitará as contraturas que ocorrem quando os músculos não são utilizados.
Caminhar, exercitar-se em bicicleta ergométrica, nadar e fazer jardinagem são todos exercícios que ajudam a manter a mobilidade articular.
Os exercícios de alongamento e de amplitude de movimentos promovem a flexibilidade articular.
Os exercícios posturais são importantes para conter a tendência da cabeça e do pescoço de se deslocarem para diante e para baixo.
Um fisioterapeuta pode ser valioso no desenvolvimento de um programa de exercício individualizado e pode fornecer instruções para o paciente e para o cuidador sobre o modo de realizar os exercícios com segurança.
Técnica especial de caminhada deve ser aprendido para contrabalançar a marcha arrastada e a tendência para se inclinar para diante.
O paciente é ensinado a se concentrar em caminhar ereto, olhar para o horizonte e usar uma marcha com base ampla (caminhar com os pés separados).
Um esforço consciente deve ser feito para oscilar os braços, elevar o pé enquanto caminha e usar um posicionamento do pé do calcanhar para os dedos, com passadas largas.
Estimulando as Atividades de Autocuidado
Encorajar, ensinar e apoiar o paciente durante as atividades da vida diária promovem o autocuidado.
Os pacientes podem ter graves problemas de mobilidade que impossibilitam as atividades normais.
Aparelhos da adaptação ou de assistência podem ser úteis.
Um terapeuta ocupacional pode avaliar as necessidades do paciente em casa e fazer recomendações em relação aos aparelhos de adaptação e ensinar o paciente e o cuidador sobre como improvisar.
Melhorando a Eliminação Intestinal
O paciente pode ter graves problemas com constipação.
Entre os fatores que causam a constipação estão a fraqueza dos músculos usados na defecação, falta de exercícios, ingestão inadequada de líquidos e atividade diminuída do sistema nervoso autônomo.
Os medicamentos utilizados para o tratamento da doença também inibem as secreções intestinais normais.
Uma rotina intestinal regular pode ser estabelecida encorajando-se o paciente a seguir um padrão de horário regular, a aumentar conscientemente a ingestão de líquidos e a ingerir alimentos com um conteúdo de fibra moderado.
Melhorando a Nutrição
Os pacientes podem ter dificuldade para manter seu peso. a alimentação torna-se um processo muito lento, exigindo concentração devido à boca seca por causa dos medicamentos e dificuldade para mastigar e deglutir.
Monitorar o peso semanalmente indica se a ingestão calórica é adequada.
As alimentações suplementares aumentam a ingestão calórica.
Melhorando a Comunicação
Sua fala suave, baixa e monótona exige que façam um esforço consciente para falar lentamente, com atenção deliberada para o que estão dizendo.
Os pacientes são lembrados a ficar de frente para o ouvinte, exagerar a pronúncia das palavras, proferir frases curtas e empreender algumas respirações profundas antes de falar.
Um fonoaudiólogo pode ser valioso ao idealizar os exercícios de melhora da fala e ao auxiliar a família e os profissionais de saúde a desenvolver e usar um método de comunicação para satisfazer as necessidades do paciente.
Apoiando as Capacidades de Enfrentamento
O suporte pode ser dado ao encorajar o paciente e apontando quais atividades estão sendo mantidas através da participação ativa.
Uma combinação de fisioterapia, terapia medicamentosa e participação em grupos de apoio pode ajudar a reduzir a depressão que acontece com freqüência.
Os paciente são assistidos e encorajados a estabelecer metas passível de atingir.
Como o parkinsonismo tende a levar ao isolamento e à depressão, os pacientes devem ser participantes ativos em seus programas terapêuticos, inclusive nos eventos sociais e de lazer.

quarta-feira, julho 02, 2014

Doença de Parkinson: avanços e perspectivas

Publicado em Entrevistas
01 de julho de 2014
A doença de Parkinson é uma enfermidade que foi descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico inglês James Parkinson. É uma doença neurológica, que afeta os movimentos da pessoa, com causas ainda pouco conhecidas.
Francisco Cardoso - DP
O professor Francisco Cardoso. Foto: arquivo pessoal.
O professor titular do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG, Francisco Cardoso (FC), acaba de participar do 18º Congresso Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento, mais importante evento científico na área. Também secretário daInternational Parkinson’s Disease and Movement Disorders Society, o professor proferiu palestra durante o evento, que foi realizado em Estocolmo, na Suécia, e discutiu formas de tratamentos e avanços. Em entrevista, Francisco Cardoso explica melhor a enfermidade e aborda alguns assuntos levantados no congresso:
O que é a Doença de Parkinson (DP)?
FC: A DP é uma doença degenerativa caracterizada pela perda progressiva de neurônios, em especial na parte compacta da substância negra, pequena região encefálica. A perda de neurônios leva à redução de dopamina e outros neurotransmissores (substâncias químicas que ajudam na transmissão de mensagens entre as células nervosas). Na falta dessas substâncias, o controle motor do indivíduo é prejudicado, ocasionando sintomas característicos, como lentidão de movimento. Outros sintomas motores e não motores também podem surgir, como tremores, rigidez, depressão e distúrbios de sono. Mas o principal é a diminuição dos movimentos. Não se sabe a causa da doença de Parkinson, mas se pensa que tenha relação com interação entre genes e fatores ambientais.
Atualmente, escuta-se falar mais sobre casos da doença. Isso se deve a um real aumento da incidência da enfermidade ou a melhoras no diagnóstico?
FC: Há mais diagnósticos atualmente porque se vive mais, e quanto maior a idade, maior o número de casos. Não há dados científicos que confirmem haver mais casos da doença em pessoas jovens, a enfermidade é pouco comum em menores de 30 anos. Há ainda mais facilidade em se fazer o diagnóstico, que é exclusivamente clínico, mas pode ser auxiliado por achados clínicos, exames laboratoriais e de neuroimagem.
Como os medicamentos disponíveis no mercado (levodopa, agonistas dopaminérgicos, dentre outros) agem no organismo?
FC: O tratamento se baseia fundamentalmente em repor dopamina através do fármaco levodopa e os demais medicamentos existentes melhoram a resposta do levodopa. Não temos medicamentos que impeçam a progressão da doença. Por isso, diagnosticar antes ou depois parece não modificar significativamente o modo como a doença progride. No entanto, alguns estudos sugerem que tratamentos mais precoces implicariam em uma melhor evolução a longo prazo.  
As cirurgias são eficazes?
FC: As cirurgias não são curativas e se prestam a amenizar efeitos colaterais das medicações, sendo utilizadas em proporção pequena dos pacientes. Além disso, pacientes com transtorno do humor grave, que estão deprimidos, com comprometimento cognitivo ou que tenham fácil manejo às medicações não são elegíveis. A principal técnica da cirurgia é a estimulação profunda de partes do cérebro, quer seja do subtálamo ou do globo pálido interno.
A estimulação elétrica da coluna dorsal, principal via sensorial da medula espinhal, é um modo de tratamento seguro e eficaz? Por quê?
FC: Testes com estimulação da medula, alguns deles apresentados no 18º Congresso Internacional em Doença de Parkinson e Doenças do Movimento, em Estocolmo, mostraram que não há lugar para esta técnica.
A terapia genética é colocada como alternativa promissora para o tratamento. Os estudos têm mostrado resultados positivos em relação a essa terapia?
FC: Terapias gênicas e com células-tronco – a Escandinávia é um dos grandes centros do mundo nestas técnicas – são inteiramente experimentais, feitas em poucos lugares do mundo e em protocolos de pesquisa. Esse tipo de terapia busca corrigir doenças genéticas, causadas por genes defeituosos, por meio da inserção de uma cópia correta do gene nas células do paciente.
É possível falar que estamos nos aproximando da descoberta de uma cura para a doença? Quais as expectativas da área em relação a essa enfermidade?
FC: Infelizmente, ainda estamos algo longe da descoberta da cura da doença. O que temos são os tratamentos farmacológicos, ao lado de outras técnicas que têm papel expressivo no tratamento, sobretudo a fisioterapia e fonoaudiologia. Os tratamentos atuais são bastante eficazes, de modo que os pacientes com DP têm expectativa de vida praticamente normal. Além disso, muitos estudos em relação à doença estão sendo desenvolvidos. Alguns deles mostram, por exemplo, que ao tomar duas xícaras de café expresso por dia, tem-se redução do risco de ter a doença.

segunda-feira, junho 16, 2014

Parkinson e Alzheimer

Várias recordações, experiência, filhos e outras coisas que o tempo oferece, imagine então acordar um belo dia, aos 94 anos, e não lembrar de grande parte da sua vida, nem mesmo dos seus filhos
DIÁRIO DA MANHÃ
NAYARA REIS
Duas doenças degenerativas do sistema nervoso que acometem normalmente pessoas com idade já avançada, o que não é uma regra geral. O mal de Parkinson causa tremores e dificuldades para andar, se movimentar e coordenar. Normalmente quando um paciente jovem é acometido pela doença, a causa mais provável é por hereditariedade. O Alzheimer tem como principais sintomas a perda da memória e distúrbios de comportamento. As informações são da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
 Atualmente existem tratamentos que, apesar de não curarem o mal de Parkinson, auxiliam na qualidade de vida dos portadores da doença. A SBGG alerta que atuar nos fatores de risco da doença é atualmente a única forma de preveni-las. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, a doença de Parkinson acomete uma média de 100 a 200 pessoas por cada cem mil habitantes, é a segunda patologia degenerativa que mais acomete os indivíduos. No mundo, dados da Organização Mundial da Saúde mostram que cerca de 1% a 2% dos idosos possuem a doença.
No dia 9 de agosto deste ano, acontece em Goiânia o 2º Simpósio de Alzheimer de A a Z. O evento será realizado na sede do Cremego. De acordo com o portal da SBGG, o mal de Alzheimer lidera o ranking de doenças que acometem a população idosa, 6% das 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos têm a doença. Estima-se que haja cerca de 1 milhão de pacientes demenciados no Brasil.
Luta contra as doenças
Isabel Machado, 57, sofre com a doença da mãe, a quem ela prefere poupar não citando seu nome. Inicialmente, ela foi acometida por Parkinson e depois pela demência, em seu caso o Alzheimer. Hoje com 88 anos, a mãe de Isabel depende totalmente de outra pessoa, fica acamada todo o dia. “A geriatra foi quem notou a demência, ela é muito inteligente e sabia disfarçar bem quando notava que havíamos percebido algo diferente. Ela iniciou com um andar robotizado, tremor, e ela parecia ausente em alguns momentos”, diz. Isabel explica que, após o início do tratamento medicamentoso, a melhora da mãe foi significativa, o que para ela é uma constatação do diagnóstico correto.
Há cerca de seis anos, a mãe de Isabel tem as duas doenças, ela teve seis filhos, mas atualmente mora com cuidadoras em um apartamento na capital. “Há dois anos, ela deixou de morar conosco, na verdade nós revezávamos, cada dia ela ficava na casa de um dos filhos, mas notamos que isso era uma situação muito difícil e cansativa para ela, então tomamos essa decisão, que não foi nada fácil”, explica. Isabel esclarece que a mãe é acompanhada por três cuidadoras durante o dia, atualmente ela não fala, não anda e vive acamada. Até um tempo atrás ainda era possível tirá-la de casa e até passear, mas hoje, vai no máximo até a sala.
A filha ressalta que a descoberta de ambas as doenças foi de difícil aceitação para toda a família, que de certa forma todos adoeceram com ela. “Até hoje é muito complicado falar disso, eu adoeci, ela está muito frágil. Foi um processo duro e sofrido, mas tivemos que tomar a decisão de deixá-la em um lugar só, onde ela pudesse ficar bem. Todos os dias eu ou outra irmã que mora em Goiânia vamos visitá-la e ver como está. Sei que não é o ideal, mas é o possível. Ela só abre os olhos, não fala, nem reconhece mais ninguém há algum tempo”, ressalta.
Uma doença de tratamento oneroso, é o que diz Isabel, atualmente a mãe não toma mais algumas medicações, no entanto não sai mais de casa, e cada visita do geriatra particular custa R$ 600. “Esses valores não são mais gastos pelas doenças. Em casa temos equipamentos que auxiliam a monitorá-la e facilitam quando as cuidadoras suspeitam de alguma piora de sua saúde. Quando ela sente algo, o geriatra vai até o apartamento para uma consulta”, esclarece Isabel.
O amor 
supera tudo
 A velhice traz consigo várias recordações, experiência e outras coisas que o tempo oferece. Imagine então acordar um belo dia, aos 94 anos, e não lembrar grande parte da sua vida, nem mesmo dos seus filhos. É o que aconteceu com o senhor Gonçalo Gonçalves de Lima, ele tem Alzheimer. Ele é avô de Zuleika Lima, 38. Ela explica que, atualmente, seu pai dedica grande parte do seu tempo a ele, que não reconhece ninguém da família. “Eles moram juntos em Belém-PA. A suspeita da doença iniciou quando meu avô passou a ter lapsos de memória rotineiros. Hoje é preciso trocar fraldas e dar banho nele, mas anda, fala e vive quase normalmente”, explica a neta. Zuleika esclarece que o neurologista pediu alguns exames e detectou-se que se tratava de Alzheimer. “O médico disse que o mais provável é que no caso dele tenha sido causado por hereditariedade, já que outras pessoas da família tiveram a doença”, diz.
Para Zuleika, a melhor parte da sua infância eram as férias, que ela passava sempre na casa do avô, que fazia de tudo para agradar a neta mais velha, no caso ela. “É triste porque hoje ele não reconhece mais ninguém, se você passar por ele vinte vezes, ele te dá a mão e te cumprimenta novamente em todas elas”, explica. O pai de Zuleika se aposentou para cuidar de Gonçalo, mas conseguiu um trabalho em que mora dentro das dependências da empresa. “Meu avô fica com uma funcionária e ele sempre por perto para caso ocorra algo. Apesar dessa doença, fomos ao geriatra com ele há algum tempo e a médica se surpreendeu. Meu avô não tem problemas com hipertensão ou do coração, disse que é mais saudável inclusive que meu pai, que é filho dele”, diz.
O avô de Zuleika ainda é muito ativo, ela conta algumas peripécias de Gonçalo durante uma visita a sua casa: “Ele dizia o tempo todo que queria ir embora, ele pegava a chave do carro e tentava abrir o portão, em um desses dias, descuidamos por alguns minutos e quando fomos procurar, meu avô já estava há três quarteirões da nossa casa e correndo, como se estivesse fugindo, hoje a gente ri da situação, mas no dia não foi nada engraçado”, diz. A neta também fala de um episódio comovente: “estávamos em casa e eu peguei um álbum de fotografia antigo para mostrar a ele, tinha algumas fotos do seu casamento. Quando ele viu, eu perguntei se ele reconhecia a mulher da foto, ele respondeu: ‘Essa aí é a Maria de Macedo, meu amor!’ Da minha avó ele se lembra, ela faleceu quando eu tinha 16 anos”, ressalta.
Delson José da Silva, neurologista do Núcleo de Neurociências do Hospital das Clínicas da UFG e diretor do Iineuro-Instituto Integrado de Neurociências, explica que ambas as doenças são neurodegenerativas, ou seja, ocorre perda progressiva de neurônios. “Na doença de Parkinson (DP) ocorre a morte principalmente de neurônios produtores de dopamina, que é um neurotransmissor responsável pelas habilidades motoras, enquanto na doença de Alzheimer (DA) ocorre perda de neurônios produtores de acetilcoloina, responsável por funções cognitivas (memória, atenção, linguagem)”, esclarece.
O médico ressalta que na DP ocorre lentidão dos movimentos (bradicinisia), tremor de repouso, rigidez dos movimentos e alterações da postura (equilíbrio). Já na DA ocorre perda de memória, linguagem e alterações de comportamento. “Ambas ocorrem devido a múltiplos fatores, tantos constitucionais próprios do indivíduo, genéticos e ambientais como fatores agressivos externos”, diz.
 De acordo com o neurologista não existe uma prevenção específica, no entanto o controle de fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes, colesterol, triglicérides etc. e ter vida saudável com práticas regulares de exercícios, lazer, dieta saudável, equilíbrio psicossocial contribuem para menor incidência destas doenças. “Evitar drogas, alcoolismo, uso indiscriminado de medicamentos psicoativos Também. Existem casos hereditários, porém as formas esporádicas são as mais frequentes. Casos na família aumentam o risco para as doenças”, ressalta Delson.

Saiba mais

Mal de Parkinson
O que é
O mal de Parkinson pode afetar um ou ambos os lados do organismo. Além disso, a perda das funções não é a mesma em todos os casos. Inicialmente os sintomas podem acometer o paciente aos poucos de maneira suave e ir se agravando até a descoberta da doença e o início do tratamento.
Sintomas
Diminuição ou desaparecimento de movimentos automáticos (como piscar)
Constipação
Dificuldade de deglutição
Babar
Equilíbrio e caminhar comprometidos
Falta de expressão no rosto (aparência de máscara)
Dores musculares (mialgia)
Dificuldade para começar ou continuar o movimento, como começar a caminhar ou se levantar de uma cadeira
Perda da motricidade fina (a letra pode ficar pequena e difícil de ler, e comer pode se tornar mais difícil)
Movimentos diminuídos
Posição inclinada
Músculos rígidos (frequentemente começando nas pernas)
Tremores que acontecem nos membros em repouso ou ao erguer o braço ou a perna
Tremores que desaparecem durante o movimento
Com o tempo, o tremor pode ser visto na cabeça, nos lábios e nos pés
Pode piorar com o cansaço, excitação ou estresse
Presença de roçamento dos dedos indicador e polegar (como o movimento de contar dinheiro)
Voz para dentro, mais baixa e monótona
Ansiedade, estresse e tensão
Confusão
Demência
Depressão
Desmaios
Alucinações
Perda de memória
Fonte:www.minhavida.com.br
DETALHES
De acordo com informações do portal de notícias do médico Dráuzio Varella, não existe um teste diagnóstico definitivo para o Alzheimer. A doença será realmente diagnosticada na autópsia. Na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito por meio do histórico do indivíduo e familiar, além de testes psicológicos que têm como função excluir a probabilidade que se trate de outras doenças mentais. Estima-se que cerca de 10% dos diagnósticos podem estar errados.
Sintomas mal de Alzheimer
Estágio I (forma inicial) – alterações na memória, personalidade e habilidades espaciais e visuais;
Estágio II (forma moderada) – dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos; agitação e insônia;
Estágio III (forma grave) – resistência à execução de tarefas diárias, incontinência urinária e fecal, dificuldade para comer, deficiência motora progressiva;
Estágio IV (terminal) – restrição ao leito, mutismo, dor à deglutição, infecções intercorrentes.